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Publicado por Tyagho Souza EM Saúde | Atualizado em: 29/07/2015 às 15h13m

Como é Feito o Transplante de Pele Humana no Brasil

Após a tragédia em Santa Maria, onde 235 jovens morreram após um incêndio em uma boate, causado por sinalizadores durante um show, é comum ouvir o termo “transplante de pele”, porém, muitas pessoas ainda resistem a doar a pele após morrerem. O que muita gente ainda não sabe, é que a pele é um órgão do corpo humano, assim como a córnea, os pulmões, os rins, o coração, o pâncreas, dentre outros, e que é com a pele que se tratam pessoas vítimas de queimaduras, assim como aconteceu no Rio Grande do Sul, onde a pele humana é utilizada como forma de curativo nos pacientes graves de queimaduras, onde a pele natural do corpo humana, foi perdida em contato com o fogo.

Doação de Pele Humana

A doação de pele humana permite o transplante de pele em pacientes vítimas de queimaduras

Com a tragédia em Santa Maria, o estoque de pele do Brasil se esgotou, devido o grande número de pacientes com necessidade de pele humana para tratamento das queimaduras. Mais de 130 pacientes foram internados em estado grave após a tragédia, alguns com queimaduras graves, outros com queimaduras regulares e a maioria com intoxicação da fumaça causada pela queima do isolamento acústico da boate, feito de isopor e espuma. Tal situação fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ordenasse a criação de um banco de pele para cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, afim de evitar a falta do órgão em situações grandiosas e dramáticas como a que aconteceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sendo considerado o 3º maior incidente com fogo e em número de vítimas no mundo.

O Brasil possui apenas três bancos de pele, sendo um em Refife, outro em São Paulo e um terceiro em Porto Alegre, pouco para atender um único incidente no país, o que fez com que o Brasil solicitasse pele da Argentina e Uruguai para atender os feridos. A falta de estoque de pele no Brasil se dá devido a negação dos brasileiros em doar o órgão após a morte, onde segundo o Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), apenas 30% dos entrevistados se comprometem a doar pele e/ou ossos após a morte, principalmente, após saber como seria o processo para retirada da pele do cadáver. Todo indivíduo com idade entre 12 e 70 anos pode ser doador de pele e deve deixar sua vontade de doação por escrito.

Como é feita a retirada de Pele do corpo humano?

Quando uma pessoa se torna uma doadora de pele, a mesma é retirada logo após a confirmação da morte encefálica. Antes de se retirar camadas de pele do cadáver, são feitos vários exames para constatar a saúde da pele, onde é verificado a presença de doenças infecciosas como a Aids e Hepatite, que se constatadas, inviabilizam a doação. Caso não seja constatada nenhuma doença, são retiradas de locais escondidos (costas, barriga, perna), finas camadas de pele (cerca de 1,5 cm) que serão utilizadas posteriormente em pacientes de queimaduras. Ao contrário do que se imagina, a pele é o único órgão que não pode ser transplantado, ou seja, em caso de perda de pele, o enxerto só poderá ser feito com pele do próprio paciente, geralmente retirada de áreas escondidas, como glúteos, barriga ou costas.

Se a pele não pode ser transplantada, porque doá-la? A pele é utilizada temporariamente em pacientes de queimaduras como uma espécie de curativo biológico, ou seja, quando uma pessoa sofre queimaduras e perde pele, substâncias importantes para mantê-la viva se perdem através do local exposto, pois a pele é um protetor natural das substâncias do organismo. Vitaminas, proteínas, sais minerais e água são algumas substâncias que se perdem quando um local está exposto, sem pele. Contudo, a pele humana é colocada sobre este ferimento e mantida ali por até 30 dias, servindo como um curativo natural. A grande vantagem é que a pele humana ajuda na recuperação do paciente e não necessita de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição do órgão, comum em outros transplantes.

Em 2012, o Brasil recebeu apenas 40 doações de pele, segundo informações cedidas pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), número de doação de pele extremamente baixo, se comparado com transplante de ossos (17.866 doações) e de córnea (17.744).


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