Você está em NoticiAki - de Tudo um Pouco > Manifestação em São Paulo pelo Aumento das Passagens de Ônibus

Manifestação em São Paulo pelo Aumento das Passagens de Ônibus

Manifestação em São Paulo

Os brasileiros estão revoltados com o aumento abusivo das passagens de ônibus nas maiores capitais do país, e por isso, tem realizado constantes manifestações nos centros das grandes capitais, com objetivo de mostrar para o Governo que o povo brasileiro não aguenta mais tanta taxa, corrupção, impostos e aumentos abusivos de serviços utilizados pela maioria todos os dias. Na cidade de São Paulo por exemplo, a manifestação é por conta do aumento de R$ 0,20 centavos na passagem de ônibus, aumentando o valor atual para R$ 3,20, valor considerado por muitos abusivos, já que em uma semana de serviço, tal aumento custará R$ 2,00 a mais para cada trabalhador, isso em um mês dá R$ 10,40 para trabalhadores que trabalham de segunda à sábado.

Manifestação contra o aumento das Passagens de Ônibus em SP

Manifestação contra o aumento das Passagens de Ônibus em SP

Segundo um levantamento feito pela Folha de São Paulo, cada trabalhador terá de trabalhar por dia, 14 minutos a mais para pagar o aumento feito pelo Governo do Estado de São Paulo, ou seja, 28 minutos a mais por dia para custiar a sua passagem de ida e volta, por dia. Em contra partida, em Buenos Aires, capital da Argentina, o trabalhador tem que trabalhar apenas 4 minutos para pagar sua passagem de ida e volta para o seu trabalho, 2 minutos para cada viagem. O protesto iniciou nas cidades de São Paulo, e estendeu-se para Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Belém, Brasília e Espírito Santo, onde em alguns estados, o protesto foi aderido não pelo aumento das passagens de ônibus, mas sim pela corrupção que predomina no país e pelos valores exorbitantes gastos com a Copa no Brasil.

Manifestação em SP

Manifestação em SP

O resultado de tais manifestações custou uma grande onde vandalismo no centro das capitais, principalmente porque, os manifestantes foram recebidos pela Polícia Militar com balas de borracha, spray de pimenta, bombas de efeito moral e cacetetes. A culpa do confronto entre manifestantes e polícia aconteça por causa de alguns manifestantes que se aproveitam da situação para depredar o patrimônio da cidade, em contra-partida, a polícia tem que ostentar a violência e a atitude de vandalismo com força, para evitar maiores estragos e prejuízos para a população. Infelizmente, em plena época de Copa das Confederações, o Brasil tenha chegado a tal ponto. Confira abaixo um relato enviado pela paulistana, Monique de Carvalho Sá (Perfil no Facebook e Google+), que viveu momentos de angústia durante a manifestação em SP pelo aumento das passagens de ônibus, ocorrida na última sexta-feira:

Protesto também contra a Corrupção no Brasil

Protesto também contra a Corrupção no Brasil

Relato de uma Paulistana

Tudo começou com a negação feita pelo Prefeito de São Paulo em ceder à trégua que fora proposta pelos protestantes e pelo Ministério Público de suspender, por 45 dias o aumento da tarifa para que fossem abertos caminhos para possíveis negociações. Fora o aumento abusivo das passagens de ônibus, há ainda altos índices da inflação, o aumento exorbitante dos alimentos básicos para sobrevivência humana, frequentes escândalos de corrupção no Governo, descaso governamental para com a população, falta de saúde pública e de educação de qualidade para os filhos dos brasileiros, quando na verdade pagamos (e muito) impostos para ter acesso a tais pontos fundamentais.

Decidimos acordar e fomos para a rua protestar. O protesto estava pacifico e contava com mais de 20 mil pessoas. Claro que sempre tem os arruaceiros, que neste caso não era a maioria, mas contribuiu para um confronto direito com a polícia. A manifestação começou as 17h00min horas do dia 14 de Junho, sexta-feira. A frente do Theatro Municipal não se viam apenas estudantes, mas também, crianças e trabalhadores que depositaram um pouco de fé no protesto. Viam-se muitas bandeiras e muitas flores. Palavras como “Sem violência” e “vem pra rua você também” eram ecoadas quando saímos pela Barão de Itapetininga e subíamos a Praça da República. Lá a polícia já esperava o grupo de manifestantes.

Quem ficou no meio da carreata não conseguia ver de onde começava e nem de onde terminava aquele mar de gente. Era apoio à manifestação vindo de toda a parte: moradores nas sacadas dos prédios, motoristas dentro de seus carros, pessoas parando para olhar e ainda quem estava na rua, aderia a manifestação. Até então, tudo bem, porém, quando chegamos no cruzamento da rua Maria Antonia, começou então a correria. Até agora não entendi o estopim, o que levou o confronto direito. Alguns dizem que foi a polícia que começou, outros dizem que foi um pequeno grupo que se manifestou contrário a ordem de acabar, outros ainda dizem que é pelo fato do interesse da manifestação subir a Rebouças e chegar à Paulista.

O fato foi que, cercaram o beco e por todos os lados, estávamos cercados e então, começaram a chuva com bombas de gás lacrimogêneo. A multidão se dispersou e então pude ver que, ninguém apanha calado. Alguns grupos se uniram a outras pessoas que portavam vinagre, substância que ajuda a amenizar os efeitos do gás lançado pela policia. Outro grupo, mais violento, destacou as pedras que estavam no chão e atirou contra a polícia, tudo para que a tropa se afastasse. Parecia um cenário de verdadeira Guerra Civil (nunca vivenciei uma, mas deve ser bem parecido). A manifestação que era única se dispersou para pequenos grupos e aí então, a truculência policial era imperdoável.

Uma massa subiu a Consolação, outra parcela foi pela Caio Prado para conseguir chegar à Rua Augusta. Enquanto subiam, a tropa de choque descia em direção ao grupo. Havia se instalado o desespero total. Muitas pessoas se espremiam entre os muros para evitar retaliação. Outras pessoas caíram e quase foram pisoteadas. Enquanto tentávamos ajudar uns aos outros, os policiais continuavam a lançar a bomba de gás. Não dava para respirar! Só tinha vontade de vomitar. Conseguimos por fim chegar a Augusta. Vemos ali um grupo atear fogo nos sacos de lixo para tentar evitar os carros da policia que já estavam indo de encontra a nós.

Foi quando um morador que assistia tudo, resolveu abrir as portas de sua casa para ficarmos ali. Deu abrigo a umas 20 pessoas (mais ou menos). Ficamos ali por 10, 15 minutos e quando saímos, vimos às cenas mostradas por uma parte da mídia. Sacos de lixo, calçadas, sujeira, nem parecia a minha cidade. Outro grupo que estava na Gente da Casper Libero, com cartazes e gritando “Sem violência” fora recebido com balas de borracha e muitas, mais muitas bombas de gás. O medo se instalou, claro que sim! Veículos de informação como Estadão e Folha foram quem pediram mais “rigidez” policial para conter os “vândalos”.

Ainda pude observar policias retirando a maioria das balas do chão, como se quisessem esconder a quantidade disparada. O efeito da bomba não arde só nos olhos. Arde cada parte do seu corpo. Os manifestantes jogaram vinagre na minha camiseta e para não desmaiar, eu lambia, assim mesmo, como se fosse um animal. Muita gente gritando “acho que vou desmaiar” e você ali, querendo ajudar, mas não podia aguentar nem a si próprio. O que resultou desse verdadeiro cenário de guerra foi: a união popular. Um ajudando o outro, uns tomando as dores dos outros. Hoje, dia 17/06 às 17:00 horas acontecerá outra manifestação no Largo das Batatas. Estarei lá. Eu, você e você também. Somos todos brasileiros e acordamos. E mais do que isso, tenho apenas uma certeza: se nós pararmos, eles ganham.

Receba as novidades do NoticiAki em seu e-mail:

Artigos Relacionados:

Encontre o que deseja:

Gostou? Deixe seu Comentário